quarta-feira, fevereiro 25, 2004

The dreams in which I’m dying are the best I ever had

Primeiro, uma única luz acesa. Depois, um sofá vermelho, uma mesa espelhada que acolhe garrafas de cerveja e cinzeiros cheios de morte, linhas brancas magras e paralelas, uma nota enrolada, um cartão de crédito escuro com uma assinatura autorizada elegante. Continuando, temos uma porta entreaberta, duas pessoas a um canto que se olham de lábios fechados, uma televisão sem imagem, manchas e linhas cinzentas e pretas e alguém sentado na alcatifa que diz sem nunca se virar para trás

Se encarares a estática durante horas, consegues ver o teu destino

A ausência de música, um bar com garrafas importadas e copos de formato invulgar, bancos altos e vazios e um quadro onde se lê

Chegaste tão longe que já não vale a pena voltar

Uma presença que entra nas costas, coloca os dedos no meu ombro e aperta-o como fazem os amigos. Um ligeiro empurrão, a ideia de que sou conduzido, as veias dilatam-se e o sangue acelera. O perigo é algo que entra dentro do teu corpo e te modifica. Os dedos dançam, o estômago manifesta-se, os passos arrastam-se pelo tecido e sei que algo vai acontecer. Outra pessoa que aparece no meu lado direito, um sorriso e um cigarro acesso, óculos escuros na ausência de luz. Sem um som, existem coisas que se perdem na garganta, coloca-me um revólver na mão. Sinto-lhe o peso, a rigidez e imortalidade, o punho é árido e tumultuoso. Palavras acompanhadas por um bafo quente e pesado que me aquece o ouvido

Atira-lhe à cabeça

A porta entreaberta, uma cadeira no escuro, existência amordaçada, uma lâmpada que se acende com uma corrente suspensa, marcas de violência sem derrame. Retiro-lhe o lenço da boca, a ausência de fluídos e vomitado, um olhar limpo e descalço

Não é a primeira vez que me queres matar

Espero ser a última. Quando falas contigo próprio, tratas-te por tu? Aponto-lhe o cano à cabeça, as pupilas dilatam-se, sou invadido por euforia, sorrio e disparo. O corpo ganha flexibilidade, faz curvas impossíveis, descontrai-se e é invadido por uma nuvem de fumo. Espero sangue mas tudo o que existe é ar.

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