terça-feira, outubro 21, 2003

Capítulo II – Carlos e Sara

Transcrição do interrogatório a Sara Carvalho, vinte e três anos, Bilhete de Identidade número 918237456. Estudante de Medicina na Faculdade de Lisboa. Investigação conduzida pelo Detective Carlos Rodrigues, distintivo número 197648 da Polícia Judiciária. Segunda-feira, dia 20 de Outubro 2003. 15h11 (Nota: A interrogada foi descoberta na sex-shop ‘Porta das Traseiras’, localizada nos Restauradores, trancada numa cabine de filmes desde Sábado.)

Carlos Rodrigues (C.R.): Sara, antes de começarmos, quero que saiba que o pior já passou. Agora está entre amigos. Estou aqui para a ajudar.
Sara Carvalho (S.C.): Isso foi o que o outro disse.
C.R.: O outro?
S.C.: O homem que me trouxe aqui. Quando dei por mim nua no meio da autoestrada Lisboa/Cascais, ele parou o carro, pedi-lhe para me levar a casa mas disse que conhecia o sítio perfeito para eu relaxar. Quando percebi onde estava e o que ele queria, tranquei-me na primeira porta que vi e recusei-me a sair. (silêncio) Nunca tinha visto um filme pornográfico na minha vida. Não tenho cabo, sabe? Nos últimos dois dias, vi quarenta e cinco. Sabia que as bolinhas chinesas podem estimular a vagina e o ânus ao mesmo tempo?
C.R.: (silêncio) Sara, vamos voltar atrás, ao Hotel. Tente ser objectiva mas não esconda pormenores. Nunca se sabe se algum detalhe pode ajudar a investigação.
S.R.: Tenho alguma dificuldade. (silêncio). Fui sair com o Diogo e acabámos (silêncio) envolvidos. Ele convenceu-me a ir para o Hotel, dizia que queria estar sozinho comigo. Lembro-me que ficou zangado quando lhe disse que sou... (silêncio)
C.R.: Que é? Sim, Sara?
S.R.: Não consigo. (silêncio). Isto são coisas muito pessoais. Não. (silêncio)
C.R.: Sara, é importante que me diga tudo. Pense em mim como o seu padre. O que disser não sai desta cabine. Mas preciso da verdade para descobrir porque lhe fizeram mal.
S.R.: (silêncio) Ele ficou zangado quando lhe disse que sou virgem.
C.R.: Virgem?
S.R.: Sim.
C.R.: Sara, o que vai uma rapariga virgem fazer para um quarto de hotel com o rapaz?
S.R.: Está a duvidar de mim?
C.R.: Confesso que custa a acreditar.
S.R.: (silêncio) Pratico sexo oral, está bem? É só. Foi isso que fui fazer para o quarto. Contente?
C.R.: (silêncio) Quando é que ele a atacou?
S.R.: Depois de lhe ter feito um (silêncio) sexo oral, ele estava preparado para me fazer o mesmo. Beijo-me na (silêncio) região baixa...
C.R.: Região baixa? Em que parte Sara? Lembre-se, os pormenores são importantes.
S.R.: Você sabe onde...
C.R.: No (silêncio) triângulo das Bermudas?
S.R.: Triângulo das Bermudas?
C.R.: Onde milhares de homens desaparecem para nunca mais serem vistos?
S.R.: (silêncio) O quê?
C.R.: Continue, por favor.
C.R.: Quando o Diogo acabou de me beijar no (silêncio) triangulo das Bermudas (silêncio) foi subindo pelo meu corpo. De repente, vi-lhe a cara, estava cheia de sangue. Olhei para o meu estômago e peito e vi sangue por todos os lados. Quando dei por ela, tinha a cara também cheia de sangue, na minha boca, no meu nariz. Meu Deus, eu inspirei sangue! E nem tenho a certeza de quem era! Entrei em pânico, empurrei-o e saí dali o mais depressa que podia.
C.R.: Está ferida de alguma forma?
S.R.: Não. Não entendo o que aconteceu. Só pode ser do Diogo. Mas entrei em pânico.
C.R.: Se não estava ferida porquê...
S.R.: Tenho pavor a sangue, está bem. Sabe a quantidade de doenças que andam por aí?
C.R.: Mas (silêncio) está a estudar medicina...
S.R.: E?
C.R.: (silêncio)
S.R.: Não acredito.
C.R.: O que foi?
S.R.: Sabe bem o que foi.
C.R.: Não estou a entender.
S.R.: Eu apanhei-o em cheio. Não se arme em desentendido.
C.R.: Não faço ideia do que está a falar.
S.R.: Sabe, sabe. Estava a olhar para o meu peito.
C.R.: Eu nunca!
S.R.: É incrível. Vem-me com essa conversa de ‘olhe para mim como o seu padre’ e depois não consegue tirar os olhos das minhas mamas.
C.R.: Por favor! Eu não (silêncio). Peço-lhe para não utilizar esse tipo de linguagem. E se (silêncio). O seu peito é importante para esta investigação. Foi identificado no hotel e eu estava apenas a confirmar...
S.R.: O meu peito é importante para a sua investigação? Que tipo de polícia é que você é? Mas o que é que se passa aqui?
C.R.: Peço-lhe desculpa mas repito, não tinha nenhuma intenção sexual. Estava apenas a cruzar informação, testemunhos de terceiros com a minha própria observação visual.
S.R.: E o que é que as testemunhas disseram exactamente?
C.R.: Deixe-me verificar as minhas notas. (silêncio). Posso citar-lhe palavra por palavra. (silêncio). ‘Boas. Jovens, firmes, bicos apontados para cima.’
S.R.: (silêncio) E confirma a descrição?
C.R.: (silêncio)
S.R.: Ontem adormeci ao som de gemidos e orgasmos múltiplos. Confesso que acordei com alguma... fome.
C.R.: Como é que esta porcaria se desliga?
S.R.: Sabia que apertando o pénis na sua base, prolonga a erecção e evita a ejaculação precoce?
C.R.: Mas não há maneira de esta merda deixar de gravar?
S.R.: Chupo como uma virgem ninfomaníaca.
C.R.: Meu Deus do céu, Sara. Não (silêncio). Eu sou o detective Rodrigues e nunca misturo trabalho e prazer e por isso recuso os seus avanços. Garanto que vou descobrir o que se passou e é essa a minha única preocupação.(silêncio) Acho que parou de gravar. Estamos seguros. Prepare-se para conhecer o Farol de Alexandria. Vá trancando a por
(silêncio) (fim da transcrição)

Sexo! Sangue! Intriga! Acontecimentos tão explícitos e reais que os produtores deste programa não permitem o seu acesso a crianças com menos de 18 anos! Não perca amanhã o próximo capítulo! A sua vida pode depender disso! Os produtores deste programa garantem uma lição de vida que nunca irá esquecer!

“Aníbal:... tivemos que trazer dezenas daqueles hooligans para a esquadra e tínhamos duas soluções. Deixar o miúdo no meio daqueles carecas ingleses (silêncio) ou metê-lo na mesma cela do João ‘Enraba o Cão’.”

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